A quem se deve a fundação da Igreja
e a quem cabe a sua edificação
Há uma diferença fundamental entre fundação e edificação da Igreja.
É de consenso que a fundação da Igreja se deu no dia de Pentecostes, com o batismo do Espírito Santo, enviado por Cristo, então, o seu fundador.
Assim estabelecida, a sua edificação começou a partir dessa mesma ocasião, com o acréscimo das pessoas convertidas pela pregação de Pedro, que chegou a quase três mil.
Enquanto a fundação da Igreja é subentendida, a ênfase se dá, mesmo antes de sua existência, em relação à sua edificação: “… sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…” (Mt 16.18)
A descrição da base e da edificação Igreja é assim entendida:
A base da Igreja é constituída dos apóstolos e profetas, sendo Cristo a pedra angular (Ef 2.20).
Compreende-se que, nos primeiros tempos, a doutrina dos apóstolos serviu como fundamento para a edificação da Igreja (At 2.42), com os profetas mencionados (mas cuja atuação se prendia a situações circunstanciais, como Ágabo, At 11.27,28).
Uma vez completado o Novo Testamento, com os ensinos de Cristo e dos apóstolos, e suas profecias, inclusive a de João no Apocalipse, sobre tal base é que a Igreja é de fato edificada.
É preciso entender que o fundamento da Igreja, tratando-se de apóstolos e profetas, não são pessoas, mas seus ensinos.
Com tudo isso, o fundamento da Igreja, a rigor, se resume a Cristo, a pedra angular, que dá consistência a tudo: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”. (1Co 3.11)
A Igreja, que vem sendo edificada, é ilustrada como edifício (1Co 3.9), lavoura (1Co 3.9) e corpo (1Co 12.27).
Como edifício, somos descritos como pedras vivas (1Pe 2.4,5); como lavoura, plantas da evangelização (1Co 3.6), ou, numa figura similar, ramos de uma mesma videira (Jo 15.1,5); e, como corpo, membros com diferentes funções no corpo de Cristo (1Co 12.12).
Todas essas ilustrações se aplicam à única Igreja, descrita em Hebreus 12.22-24 como “universal assembleia e igreja dos primogênitos”, que tem sua sede nos céus, e que na terra é representada pelas igrejas locais.
Entretanto, é pelo trabalho das igrejas locais, as agências do reino, que a Igreja celestial se expande.
Ainda que cada convertido alegra os anjos de Deus (Lc 15.10), o trabalho da semeadura e colheita não cabe a eles, mas às igrejas com seus pastores e membros, num trabalho incessante e, muitas vezes, em meio à oposição e perigos de toda ordem.
A seu favor, a palavra de conforto do Fundador da Igreja:
“E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. (Mt 28.20)