César tem seus poderes dados por Deus; assim, ele não é um deus!
César representa o poder político que governa o país e suas divisões administrativas. Nossa submissão, como cidadãos, ao governo civil, está bem explicitada no texto da carta de Paulo aos Romanos 13.1-7.
Temos dupla cidadania – Os filhos de Deus são cidadãos de dois reinos. E assim como têm deveres para com o reino dos céus, como seus súditos e propagadores, têm igualmente obrigações para com o reino deste mundo. Aqui vivemos, e temos de pagar pelos serviços que a administração pública presta para toda a população.
As autoridades são constituídas por Deus – “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. De Deus procede não só o princípio da autoridade – mesmo os governantes são por ele dispostos. Ainda que nas constituições de muitos países conste que “todo o poder emana do povo”, Deus, na sua soberania, é que dispõe e ordena todas as coisas: “… que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles” (Dn 4.17).
O que se deve a César – “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”.
• Deveres que cabem a todos – Todos os cidadãos têm deveres iguais para com o estado e seus governantes, e os cristãos devem cumpri-los de um modo ainda mais consciente. Respeito: “Pagai a todos o que lhes é devido (…), a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. Embora seja legítimo manifestar-se publicamente contra os desvios de conduta dos governantes, ou de seus subordinados, nunca o cristão deve optar pela violência, atentar contra o patrimônio ou afrontar a autoridade constituída, como também não deve justificar quem cometa tais atos. O filho de Deus deve em tudo zelar pela paz e a ordem social. Tributos: “Por esse motivo, também pagais tributo, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço”. Os tributos sempre são alvo das críticas populares, mas não há como deixar de pagá-los. Em si, eles são indispensáveis para a manutenção das instituições que zelam pelo bem público. De qualquer forma, temos de depositar nossa confiança em nossos representantes, das diversas casas legislativas, e deles podemos demandar ações necessárias. Deveres civis e de cidadania: Incluem o cumprimento das leis que regem a ordenação política e social do país e a cooperação com os atos da autoridade que visam o bem-estar da população. O cristão deve amar a sua pátria e trabalhar para o seu progresso.
• Para o cristão, um dever a mais – Um dever específico é requerido dos filhos de Deus: erguer suas orações “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1Tm 2.1,2). Essa atitude é justa, porque são ministros de Deus, e benéfica, porque das autoridades depende a manutenção da liberdade religiosa, tão cara ao povo de Deus.
Motivos para uma atitude correta – Os motivos apontam em várias direções: Evitar os rigores da lei: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal”. A autoridade constituída não é exatamente um pai, para relevar a nossa insubordinação, envolvimento em atos ilícitos e inadimplência ou fraude no recolhimento de impostos e outros tributos. Por isso, para evitar as penas da lei, que vão nos trazer prejuízos de toda ordem, convém proceder com toda lisura em nossos compromissos de cidadão. Dever de consciência: “É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência”. Mesmo tratando a autoridade como é devido, nosso maior dever é com a nossa consciência, que não se calará diante de um ato que fuja do padrão cristão. Não podemos contristar o Espírito Santo, que habita em nós, e que não compactua com nada que não seja a verdade e a justiça. Responsabilidade no testemunho: “Não paga o vosso Mestre as duas dracmas?”, perguntou a Pedro o cobrador de impostos. Era o tributo do templo de Deus, que, pelo fato de ser Filho de Deus, Jesus não precisaria pagar. “Mas, para que não os escandalizemos…” – então pediu a Pedro que tirasse a moeda da boca do peixe que fisgasse, e pagasse. Cumprir nossos deveres de cidadão vai evitar que o nosso testemunho seja comprometido e a nossa fé, desacreditada.
Se a ordem da autoridade conflita com a palavra de Deus – Nesse caso, o cristão, cidadão dos dois reinos, tem de decidir: (1) Se sentir que deve se opor à imposição da autoridade, deve deixar com o Senhor o resultado. • Daniel não cedeu ao decreto real, induzido pelos inimigos do profeta, pelo qual, durante trinta dias, ninguém poderia fazer qualquer petição, a homem ou deus, somente ao rei, sob pena de ser lançado na cova dos leões. Denunciado, foi lançado na cova, de onde saiu ileso. O milagre serviu de testemunho ao rei (Dn 6). • Da mesma forma, os apóstolos não se submeteram à imposição do Sinédrio, de não mais testemunharem de Cristo: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. Por intervenção de Gamaliel, não foram mortos, sendo, contudo, açoitados; porém, regozijaram-se “por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (At 5.25-41). (2) Contudo, não se pode julgar os cristãos que preferem não testemunhar abertamente a sua fé, em países que não toleram o Cristianismo. Eles não se envergonham do Evangelho nem, a rigor, se acovardam; apenas preferem divulgar sua fé em segredo, poupando a vida aos seus queridos e não colocando em risco a seus irmãos em Cristo. Porém, se confrontados, não podem negar a sua fé.