Toda a glória do nosso sucesso só cabe ao Deus que nos supre!
“Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9).
A ilustração profética, ligada ao ministério de João Batista, refere-se, não à geografia, mas aos homens: “Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros…” (Is 40.4), o que corresponde à afirmação: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado”.
Assim como não há ‘glória’ para um monte o ter sido nivelado, e sim para o vale o haver sido aterrado, o mesmo se diga do homem de Deus que tenha tido as suas fraquezas compensadas pelo poder de Deus.
Sabe-se, por experiência, que ministros superdotados, quando levados pelo sentimento de autossuficiência deixam de depender da graça divina, são mais propensos a cair em pecado, o que efetivamente tem acontecido.
Muito menos frequente é que isso venha a acontecer com aqueles servos que, reconhecendo as suas fraquezas e quão pouco dignos são de exercerem o ministério, dependem inteiramente do Senhor.
No caso do apóstolo Paulo, havia nele uma tendência a vangloriar-se, em virtude das revelações que lhe tinham sido dadas, especialmente em razão de seu arrebatamento ao paraíso. E como o Senhor o tratou?
“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte”.
O espinho na carne seria uma limitação física, ou de outra ordem, mas suficiente para impedir que viesse a ser tentado. O desconforto que sentiu não devia ser pequeno, pelo que orou com insistência a Deus, sem que, mesmo assim, fosse atendido.
A resposta foi de que a sua fraqueza seria compensada com o poder de Deus. O vale de suas fraquezas seria aterrado com a graça divina, para que a glória do seu ministério fosse somente do Senhor.
Paulo, é importante lembrar, não foi o único servo de Deus a sentir o peso da chamada, em virtude de limitações.
Moisés alegou diante de Deus não ser o homem adequado a instar com faraó para saída do povo cativo, por ser “pesado de boca e pesado de língua”. E Jeremias, quando chamado, objetou: “Eis que eu não sei falar, porque não passo de uma criança”.
Mas, tanto um como outro, com auxílio de Deus, realizaram plenamente a tarefa para a qual tinham sido designados.
É até razoável que alguém, ao sentir a chamada para o serviço de Deus, julgue-se inapto e mesmo indigno de tamanha responsabilidade. Porém, o Deus que chama também capacita e supre as limitações de quem vocaciona.
Então, Paulo, submetendo-se ao critério divino para mantê-lo dependente da graça, afirmou:
“De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo”. E, concluiu: “Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.
Ao ministro não faltam necessidades, preocupações, injustiças e incompreensões. Além disso, a exemplo de Paulo, pesam sobre ele suas próprias limitações.
Mas, mesmo que se sinta sozinho e sem ter com quem compartilhar seus sentimentos, deve contar com o auxílio divino e, por isso e com alegria, perseverar, tal como os heróis da fé, dos quais se afirma: “da fraqueza tiraram força”. (Hb 11.34)