Se não podemos evitar o sofrimento, que saibamos agir diante dele!
Existe um tipo de pregação que pretende eliminar toda forma de sofrimento. Baseia-se em textos como os que dizem ter levado Jesus sobre si as nossas enfermidades e de que Jesus Cristo continua sendo o mesmo hoje; o que significa que ele, como curou a todos os que encontrou, continua fazendo o mesmo atualmente. Evidentemente, ninguém vai negar que Jesus pode fazê-lo. Contudo, enfermidades e sofrimentos nunca deixaram de existir entre os filhos de Deus, tanto quanto com os de fora. Casos de deficiências congênitas, lesões incapacitantes e enfermidades são notórios no meio do povo de Deus. Muita oração e jejuns têm sido feitos, e recursos médicos têm sido utilizados, porém sem os resultados esperados. Certos pregadores, que oram com intensidade sobre os enfermos, proclamam milagres em muitos casos, mas não se observam tais evidências naqueles males que são mais aparentes. A decepção pode abalar a confiança dos que sofrem e de muitos outros no amor de Deus ou na credibilidade da sua palavra, e esses casos não têm sido raros. O certo é que não se pode sempre creditar o insucesso à falta de fé daqueles que buscam a cura. O mesmo não pode ser alegado em relação a crianças, a deficientes mentais e a casos de possessão demoníaca, como o do jovem curado por Jesus, depois que a oração dos apóstolos, para decepção do pai, não conseguiu libertar. O que precisa ser entendido sobre o sofrimento – 1. O sofrimento por que passa o filho de Deus, resultante de doenças ou de perdas, é o mesmo que acontece com os de fora. É evidente que aqueles crentes criados no Evangelho estão livres de muitos males causados pelo modo de vida mundano, e isto já faz uma grande diferença. Por outro lado, os males ou a disposição para os males adquiridos antes da conversão tendem a assim permanecer, como herança do passado sem Cristo. 2. Considerando que o sofrimento dos filhos de Deus é o mesmo pelo qual todos passam, então onde estão as diferenças? Na fé – Todo o sofrimento está sob o controle divino e faz parte de um plano perfeito para a edificação do crente, para lhe acrescentar virtudes, como a paciência, e estimular empatia por outros que também sofrem. Na reação – Como resultado da confiança em Deus, os filhos de Deus sempre mostrarão melhor disposição diante do sofrimento e podem até chegar a confortar aqueles que vêm para confortá-los. 3. O tempo da enfermidade, sem nada com que nos ocupar, é oportuno para refletir sobre nós mesmos, analisar nossos relacionamentos, avaliar nossas decisões, ponderar sobre nossa vida espiritual. É um tempo para valorizar a vida, agradecer a Deus os anos de saúde, praticar o perdão e fazer decisões. Um período inativo e preso a um leito é um tempo propício para falar com Deus e ouvir o que ele nos tem a dizer. 4. O sofrimento dá ensejo àquelas pessoas que compõem o nosso círculo familiar e o nosso círculo social demonstrarem o seu afeto, e uma oportunidade de reaproximação da parte de outras com quem mantínhamos uma relação mais distante ou até mesmo alguma divergência. 5. Finalmente, o sofrimento de uma enfermidade ou perda familiar nos ensina sobre a fragilidade e a finitude da vida, e nos diz que não é aqui o nosso futuro. Os nossos olhos devem estar voltados para a eternidade e importa que relativizemos os valores deste mundo e que nos desapeguemos deles: “Isto, porém, vos digo, irmãos: o tempo se abrevia; o que resta é que não só os casados sejam como se o não fossem; mas também os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se nada possuíssem; e os que se utilizam do mundo, como se dele não usassem; porque a aparência deste mundo passa”. (1Co 7.29-31)